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  C r ó n i c a  d a  S e m a n a

   Quando algo está mal é preciso reflectir, quando está bom há que enaltecer o acontecimento...
 

Opiniões sobre a modalidade, sobre todos e sobre cada um..


O antes.. O agora.. O Depois...

Não tive a oportunidade de viver nas décadas de 60, 70 e 80 tempos em que o Hóquei em Patins atingia o seu auge. Sei que se sente saudades das enchentes e das noites frenéticas que se viviam nos pavilhões para ver jogadores fantásticos como António Livramento ou Ramalhete. As loucuras dos campeonatos mundiais, as emoções das partidas frente a Espanha e sobretudo a mobilização a que o país assistia quando se ouvia falar desta modalidade que caiu no esquecimento.

Antigas glórias nacionais contam-me histórias da sua carreira desportiva. Parecia um desporto talvez… não sei… diferente por rolar sobre rodas e disputar-se com um pau na mão. No entanto era e foi até hoje o único que proporcionou as maiores e melhores emoções ao povo português.

Mobilizou-se o país para o EURO 2004 de futebol. Tempos que sorrimos e fomos felizes mesmo tendo perdido. Mas antigamente, no Hóquei em Patins, bastava um simples Portugal - Espanha para atrair multidões que infernizavam os pavilhões. As pessoas colavam os ouvidos à Rádio e permaneciam atentos até ao apito final do árbitro. Muitos mundiais, muitos europeus temos nós guardados na galeria de troféus…

Quanto ao presente, não sei que lhe fizeram…

                É certo que o número de clubes aumentou, a quantidade de atletas que praticam é em maior número mas… a qualidade piorou. A qualidade, o entusiasmo e a vivência. Os treinadores apostam mais na força do que na qualidade individual e na qualidade em equipa. Os atletas usam o stick como uma arma para atacar as suas presas. As regras impostas pelo órgão máximo da modalidade destroem ainda mais rapidamente o que já se encontra em ruínas.

                Eu não sei mesmo o que pretendem do Hóquei em Patins mas sinto saudades dos pequenos momentos em que assisti a um pavilhão (Infante de Sagres) repleto de gente para ver Pedro Gil, Teixidó, Masoliver ou Luís Viana brilharem frente a um FC Porto de Pedro Alves, Reinaldo Ventura, Tó Neves e Edo Bosch. Ou, muitas vezes, a um Benfica do mais que génio Panchito Velasquez.

                Queria um Hóquei que me abstraísse de tudo, com emoções a cada minuto, sem violência, com qualidade, sem regras estúpidas, com simplicidade. Gostava que fosse um jogo mais pensado e técnico como o era outrora onde um pormenor genial a segundos do final resolvia a questão.

                O Hóquei merece tudo. Trouxe a Portugal uma nova dinâmica, o sabor do Desporto e sem margem para dúvidas incutiu nos portugueses da época um espírito ganhador.

                Tem que partir de nós, amantes da modalidade, a reconstrução da modalidade. Deixemos lá os que mandam no seu cantinho a lançar regras que acabem com isto. Em vez disso, preocupemo-nos com o regresso às emoções, ao Hóquei bonito e às magias que nos deixam encantados. Enchamos nós os pavilhões, divulguemos a modalidade por todos e por cada um e façamos muita força para que os media sintam o espírito esmagador do Hóquei e relembrem ao Mundo que foi esta a modalidade que encantou e alegrou todo o povo português…


 

 

   Bernardo Nestor       

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Mais Informações: cishoquei@gmail.com